domingo, 27 de abril de 2008

Décima semana

Alguns colegas de profissão, fazem fila na porta, antes mesmo do amanhecer. Mas no site da DE, a escola ao lado da residência destes, pede ajuda.
Por falar em ajuda, fui conhecer outra escola que solicitava mais professores. A clientela é exclusivamente de área de invasão, áreas degradadas e toda sorte de moradia alternativa. Logo na chegada, percebo a ausência de uniformes, alunos crescidos e antesala da diretoria lotada, além de dois alunos brigando na saida de uma 8EF (nesta escola, de A até J, inclusive as 7 EF e apenas 4 salas de 1EM). Como se concentrar em processo pedagógico se reina a indisciplina?. Pelo menos, aqui , o osso é repartido igualmente. Recebi conselhos para ficar onde estou.
Semana fraca, apenas duas aulas de Geografia no dia após o terremoto. Sorte ter me preparado antes com leitura dos jornais, livro de Geografia disponível na sala dos professores e uma breve conversa com outro professor da matéria. Alunos interessados, estava bom demais, até a coordenação anunciar distribuição de livros.
Nesta semana, só acompanhamento de Matemática nos 1 EM e uma triste experiência no 2 EM. Insisto que os alunos estão dominando a equipe gestora e muitos professores.

Nona semana

Semana da prova do estado. Percebo que os alunos não estudaram absolutamente nada, mesmo assim, o estado irá cometer o erro de premiar professores por desempenho, sem antes, combinar com o aluno.
Com aulas de manhã e a tarde, faço uma breve revisão com as 7 EF, 8 EF e um único 1 EM.
Chega o dia da prova de portugues. Vou a escola para ver se serei útil. De bobeira, como imaginava, sou convocado a ajudar nosso colega de atividade, que agora passa a chegar cedo. Passam-se alguns minutos e aparece a professora de educação fisica e me rende, não entendi nada, mas os alunos ficaram melindrados. Saio dali puto e vou até a outra escola que solicitava urgente, professor de exatas. Converso com a gestão, conheço a escola e temos 4 aulas de matemática do único 3 EM abandonadas pelo antigo professor. Solicito o caderno da PC, para preparar as aulas e fico o resto da manhã conhecendo o cliente, oriundo da classe média local e de duas favelas. Aqui, a proposta é trabalhar por afinidade, com material preparado pelo professor titular, ao estilo da melhor escola do estado. Ao final das provas, conheço alguns professores e recebo o retorno que a gestão mudou de idéia, devo ficar apenas como estepe e o outro professor, ainda em formação, que já acumula algumas salas. ficaria com mais estas. Bom, sem aulas, permaneço onde estou e fico chateado com esta posição da escola.
Chega o dia da prova de Matemática. Vou novamente a escola para ver se serei útil. A professora que acompanha o 2 EM, já cumprida sua carga horária, despede-se da escola e com uma falta de professor, assumo a prova e as aulas restantes do dia.
Durante a prova começa a bagunça. Primeiro, término previsto para 9:30 hs, prorrogado para 9:45 hs e até 10 hs. Aqueles que foram terminando a prova, deveriam sair da sala, mas permanecendo, teimam a aumentar o ruído e receber até bronca por parte da direção. A cola não consegui pegar, mas estava passeando. Ao final do segundo prazo, toca um sinal e o tumulto se dá em sala de aula, incontrolável, sobrando o único recurso de retirar as provas restantes e deixá-los sair.
Fica patente que o aluno não respeita a figura do professor como orientador, os inspetores nunca estão disponíveis e muitas informações são desencontradas.
Hora do intervalo e de preparar rapidamente om material para a 7 EF e 8 EF . Esta é aquela 7 EF indisciplinada. Como a manhã já estava bagunçada, uma professora solicita uma troca e aceito, ficando duas aulas com este cliente problema. Como estes achavam que deveriam ser dispensados, promoveram toda sorte de rebeldia, receberam visitas constantes dos inspetores, até o desfecho final, uma advertência coletiva. Novamente, o professor e sua única voz, deve acalmar o cliente de 40 vozes. Sem aula e com todo o tempo gasto em bronca, os alunos venceram. A noite, uma gripe que rompe a proteção da vacina e fico em repouso na quinta.
Hora de fechar a semana, recebo um telefonema de urgência e aviso que estou a caminho, o professor de Química faltou e são 6 aulas, 1EM e 2 EM. Solicito as PCs e não há reserva, assim, uso o caderno dos alunos como referência e tomo um susto, sem conteúdo. Hora de colocar algo para eles, dentro da proposta do bimestre. No final da tarde, outra escola necessita de ajuda com aulas de inglês para 6 EF e 7 EF, confirmo, pego os cadernos, estudo a proposta e vamos trabalhar.

sábado, 19 de abril de 2008

Gota de água



Mãe volta a estudar para incentivar filho
Estadão de hoje

Em uma sala do curso supletivo da Escola Américo Salles de Oliveira, em Jardinópolis, região de Ribeirão Preto (SP), a diarista Andréia Souza Alves, de 31 anos, e seu filho Leonardo, de 15, assistem às aulas juntos. O menino havia parado de estudar por três anos. Preocupada com más companhias e um possível envolvimento do filho mais velho com drogas, Andréia voltou a estudar em 2007. Ela passava suas lições de casa para ele fazer até que, este ano, o menino decidiu voltar à escola. O adolescente revela que se animou ao ver seus amigos estudando com a mãe. "Pego no pé dele em casa, mas na escola o deixo à vontade", garante Andréia. Mas ela ainda precisou perturbar a direção da escola, pois não havia vaga. Andréia estava disposta a ceder a sua ao filho, mas outra surgiu. Quando tinha 15 anos e cursava a 6ª série, a diarista parou de estudar porque estava grávida de Leonardo. Andréia, então, casou-se com Paulo José de Souza Santeiro, um empacotador de frutas, e teve outros dois filhos: Ana Luiza, de 12 anos, e Paulo Henrique, de 6 anos. Para 2009 é provável que o marido de Andréia retome os estudos, também no supletivo, mas na 5ª série. "Ele ficou com ciúmes, no começo, mas agora está se preparando para voltar a estudar", afirma Andréia.

sábado, 12 de abril de 2008

Oitava semana

Fiz um levantamento do ENEM 2007. Na cidade, a pior escola particular(56), ainda assim fica com 2 pontos a mais que a melhor estadual(54). Pelo número de faltas dos professores, pode-se explicar parte deste desempenho. A outra , já sabemos, são os próprios alunos e suas famílias.
Nossa amiga conseguiu seu intento, não houve atribuição na D.E. e como se trata de substituição de licença gestante, esta conseguiu 1 mês de aulas no bate e volta. Será que dará um fôlego e repartirá o pão?. Claro que não e no dia seguinte, já roe o osso sozinha, sobrando para este coitado apenas jogar vôlei com os alunos da oitava. Mas o mundo educacional não perdoa, nosso outro amigo, sem ter o que estudar ou procurar emprego, faz questão de acordar cedo e levar mais de 10 aulas na semana. Saldo de aulas na semana, zero.
Vamos fazer um teste diferente na semana.
Os alunos continuam "na deles", os inspetores "na deles" e todos os demais "na deles".
O papel do ENEM sumiu do quadro da sala dos professores. Quem será?.

sábado, 5 de abril de 2008

Sétima semana

Semana para esquecer.
Agora percebo como gestores escolares minam o professorado. Primeiro, evitam os casos de indisciplina e na sequência, erram feito na atribuição de aulas, preterindo professores mais experientes e com o plano de aula em mãos, para agradar amigos que apenas irão criar distração em sala de aula.
O aluno não perdoa, como fizeram no 2 EM. Preferiram estes, trabalhar o teatrinho de artes, ao invés de ouvir a proposta do caderno da matéria. Alguns, em dialogo franco, alegam que o conteúdo não irá chegar de forma adequada e já antecipam a folga. Como colocar esta posição ao grupo gestor, se este se omite ou mais fácil, culpa sempre o professor?.
Tudo questão da diferença entre ouvir e escutar.
Mas a tal dor de cabeça eu não esquecerei.

ENEM 2007 - repercussão


Melhor colégio estadual é rígido com a falta de professores

Na Escola Estadual Rui Bloem, considerada pelo segundo ano consecutivo a melhor escola estadual da cidade de São Paulo (335º lugar), o foco não está só na freqüência e nos desempenhos dos alunos: os professores também são acompanhados de perto. Semanalmente, todos passam por reuniões com os coordenadores pedagógicos. Nesses encontros, os profissionais trocam experiências, analisam o material proveniente da Secretaria da Educação e avaliam o plano de aulas. Além disso, a direção diz ser rigorosa com quem falta: só tem direito ao abono (que permite faltar sem desconto salarial) quem avisar com antecedência que não poderá dar a aula, providenciar um professor substituto e deixar preparada uma atividade para os alunos. "O principal problema das escolas públicas é a falta de professores. Aqui, nós não temos muito esse problema; mesmo assim, alguns casos ocorrem. É preciso ter mais rigor nesse aspecto", afirma José Carlos Marquezim, vice-diretor da instituição, localizada na Saúde, zona sul da capital. Ele também ressalta que, dos 75 professores da escola, a maioria (55) é formada por funcionários efetivos. "Isso diminui a rotatividade. Geralmente, o professor contratado temporariamente passa um ano na escola e não aparece mais. O nosso grupo é muito coeso", diz. A Rui Bloem tem 2.000 alunos, distribuídos em turmas com 43 pessoas cada uma, em média. Como atividades extras, os estudantes têm à disposição aulas de esportes como vôlei e cursos de idiomas -há um centro de idiomas anexo à escola, com aulas de espanhol, francês, alemão e japonês. A partir de agosto, o centro terá inglês. O centro atende toda a rede estadual da região, mas a maioria dos alunos, segundo Marquezim, é da Rui Bloem. Em agosto do ano passado, a escola também firmou uma parceria com a FEI (Fundação Educacional Inaciana), que inclui, entre outras ações, uma exposição e a elaboração de projetos relacionados a eletricidade, mecânica e química. "Tínhamos alunos que nem cogitavam fazer engenharia e três deles entraram na FEI sem cursinho", diz.
Amarílis Lage da Folha de S.Paulo

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Pois é...

Perfil dos professores do Colégio Bandeirantes
"Dos 143 professores da escola, 12 fazem mestrado, 28 são mestres e dez, doutores. Além disso, 60% deles lecionam há mais de dez anos no local. Recebem salários que vão de R$ 44 a R$ 60 por hora de aula dada."
Pagar e estimular igualmente os professores do Estado resolveria o desempenho dos alunos?
Lembrem-se que o aluno quando não quer trabalhar...não adianta.